quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Amarelei



Amarelei
Sim meus alunos,
Não como um quadro negro, e
Eu com o giz,
Amarelei
Na linha de uma faixa
Energizada com uma
Direção a um senhor calmo
Amarelei
Como se alguém me abandonasse
Ali, e só me restasse a outra linha
A linha da leitura do cais
Mas parei ao Amar é?
E me veio na boca um soluço
Que impedia o resto da palavra
Ali o que me veio é a lei.


Rodada 68
Texto: Fernando Andrade
Imagem: Lucia Dias

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

um rock roll na sapucai



cai no samba, samba rock na arquibancada dizendo que Rei é a caixa da zabumba do meu boi oi oi uma porta bandeira uma multidão a assiste em pé não há cadeiras na sapucai caí no samba outra vez! caíram no samba todos nós, e também os mestres do pandeiro do repique. e aqui na passarela vejo a moça com seu tabu brasileiro de nunca levar o primeiro lugar nas notas dos senhores jurados.

Rodada nº 67
Imagem: Rudy Trindade
Texto: Fernando Andrade


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Segunda a sexta



SEGUNDA A SEXTA

toda pessoa que sai
de casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa

carrega
seus próprios

fantasmas

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Rodada 67
Imagem: Carlos Brausz
Texto: Igor Dias

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Renascimento




Te busquei no anonimato das cores
Embrulhei palavras no cetim
Compus vasta possibilidades de dores
E acordei com o querubim.

Amarrei minha égua à sombra
Cochilei e engoli dissabores
Implorei as deusas formas terrais
E acordei com o bem-te-vi.

Não compreendia de onde vinha
tamanho otimismo sem fim
Resolvi te encarar certa noite
E acordei sem ti.

Talvez melhor viver aqui
Longe de mim.

Rodada 67
Imagem: Lucia Dias
Texto: Carolina de Araujo



quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Histórias a contar







Hoje vi o sol
Eu e estas pessoas,
Não era uma tela
Da Glória da Glória. 
Um, dois e a grafia,
Não são números e sim estórias,
O que estas pessoas andam afiadas?
A entrar no mar
E todas com certeza terão estórias a contar
Cada uma, de um a cem celebração personalista, um poema a rimar.
Mar adentro; não e todo dia que estas pessoas estão solitárias.


Post extra
imagem: Glória Mota
texto: Fernando Andrade

quarta-feira, 13 de julho de 2016

N


n
voado
destino

que réstia
solar
alumia?

barra
porto
desatino

chegar importa
agora

INUTOPIA


Imagem: Gloria Mota
Texto: Guilherme Preger  

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O MONUMENTO E A INDIGÊNCIA




Na praça vazia, dois mundos se contrapõem.
Dois mundos se complementam.

Ela, conhecida andarilha, deixou filhos, um amor torto e lançou-se ao mundo. Abandonada ao álcool, pensa na vida que teve. Um monumento ao humano.
Do outro lado, alguém sem identidade, inerte na sua eternidade de pedra, celebra a vida desimportante sem significado para os que passam por ali. Um monumento à indigência.

Mas existe a praça, síntese da vida.
Na praça vazia , dois mundos se contrapõem.
Dois mundos se complementam.

Imagem: Magali Rios
Texto: Maria Emília Algebaile
Rodada 67

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Espelho



     A casa é velha e maltratada, por dentro e por fora. Pintura descascada, rebocos caídos, batentes de portas e janelas em petição de miséria.
     A mesa da sala, onde a mulher se senta, está manchada de café e de gordura, a perna bamba apoiada numa tampa de garrafa.
     A mulher se parece com a casa, desbotada dentro do robe de chambre muito sujo e quase se desmanchando.
     O chá já está na xícara de asa quebrada, ela não lembra quem a serviu. Ao lado, o pratinho de sobremesa com biscoitos de maisena.

     Dá um gole no chá, faz uma careta, segura a xícara que já está fria e atira na direção da cristaleira. Era o único vidro ainda inteiro naquela casa.

Post Extra
Texto: Luís Pimentel
Imagem: Magali Rios

domingo, 26 de junho de 2016

Flash do cotidiano triste


Ela estava comendo uma salada e ele se sentou na mesa ao lado com uma taça de vinho. Olharam-se com curiosidade. O verde do prato da moça combinava com seu olhar fresco e cheio de vida. O Bordeaux do copo do homem harmonizava com seus olhos vermelhos; olhos de quem chorou. Pensou que ela seria uma festa em sua vida e que tinha vontade de lhe pedir um sorriso. Pensou que ele era um ser triste e que poderia dar-lhe uma flor. Olharam-se com nostalgia. Uma folha de alface caiu do garfo da moça. Uma gota de vinho maculou o branco da toalha de mesa. Olharam-se novamente e um sorriso tímido foi desenhado na boca dos dois.
Ela acabou de comer a salada e se levantou para ir embora. Ele terminou a taça e a encheu novamente. Olharam-se pela última vez, cada um com seus pensamentos e caminhos que jamais voltariam a se encontrar.






Rodada 66 Invertida
Texto: Maria Emília Algebaile
Imagem: Fernanda Lefèvre