domingo, 18 de setembro de 2016

Grão de areia




Já tenho um trunfo
pra sobreviver essa missão
daqueles fincados por bandeiras
essas que planam na imensidão

Dele carrego gentilezas
dessas que extrapolam o portão
grãos de areia sobre a mesa
onde compartilhamos o pão



Rodada 68
Texto: Carolina de Araujo
Imagem: Magda Rebello


domingo, 11 de setembro de 2016

Passarada












 passarada
que constela
como um origami
contra o céu enevoado
massivo e cinzento
e borda o móbile
e sutil liame
de um sol a um azul
horizonte:
- Acontecimento


Rodada 68
Texto de Guilherme Preger
Imagens de Magali Rios


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Paralelas



Os pés que pisam o mesmo chão
 já percorreram caminhos
diferentes, inusitados e no entanto tão parecidos.
A areia que poderá ser de praias ou desertos,
é base para descanso, caminhar e grandes saltos.
Uma rede quase invisível a delimitar o espaço-vida de cada uma,
lembra que é preciso estarem atentas. Sempre.
Em comum, o olhar arguto, a cintura delgada, o pensamento viajante,
as pernas fortes, os pés que apoiam a vida, mãos que acariciam e lutam,
as ancas que prometem e o desejo latente de ser mulher
acima e apesar de tudo.


Rodada 68
Texto de Maria Emilia Algebaile
Imagem de Rudy Trindade


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

lutar com palavras


quantos homens viraram pedra
para empilhar a beleza das pirâmides?


quantas mulheres arderam fogueiras
para revelar o perigo das bruxas?


quantos mares nunca dantes navegados
choraram o silêncio negro dos porões das caravelas?


quantas bastilhas e palácios de inverno e treblinkas e
hiroshimas e faixas de gaza e ruas sem nome?


quantos nomes contam uma civilização?
e escondem metáforas mortas a pauladas

na madrugada do beco?

Texto: Cesar Cardoso
Imagem: Magda Rebello

domingo, 28 de agosto de 2016

Raízes


Onde fincamos a raiz do tempo,
arrancada antes do tempo,
pelo menos do tempo que sonhávamos
merecedores? Onde a semente
que poderia ser aqui replantada
se esconde? De quem sem esconde?
Impossível replantar o tempo, sabemos,
para ter novamente a raiz, o tronco,
os galhos do tempo que fizeram as folhas
e o cheio das folhas que nos protegeram
um dia, dia após dia, num tempo em que,
sem ter aquela ou qualquer outra semente,
jamais imaginávamos florescer.


Rodada 68
Imagem: Carlos Brausz
Texto: Luís Pimentel

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Amarelei



Amarelei
Sim meus alunos,
Não como um quadro negro, e
Eu com o giz,
Amarelei
Na linha de uma faixa
Energizada com uma
Direção a um senhor calmo
Amarelei
Como se alguém me abandonasse
Ali, e só me restasse a outra linha
A linha da leitura do cais
Mas parei ao Amar é?
E me veio na boca um soluço
Que impedia o resto da palavra
Ali o que me veio é a lei.


Rodada 68
Texto: Fernando Andrade
Imagem: Lucia Dias

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

um rock roll na sapucai



cai no samba, samba rock na arquibancada dizendo que Rei é a caixa da zabumba do meu boi oi oi uma porta bandeira uma multidão a assiste em pé não há cadeiras na sapucai caí no samba outra vez! caíram no samba todos nós, e também os mestres do pandeiro do repique. e aqui na passarela vejo a moça com seu tabu brasileiro de nunca levar o primeiro lugar nas notas dos senhores jurados.

Rodada nº 67
Imagem: Rudy Trindade
Texto: Fernando Andrade


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Segunda a sexta



SEGUNDA A SEXTA

toda pessoa que sai
de casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa
para o trabalho
para casa

carrega
seus próprios

fantasmas

------------------------

Rodada 67
Imagem: Carlos Brausz
Texto: Igor Dias

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Renascimento




Te busquei no anonimato das cores
Embrulhei palavras no cetim
Compus vasta possibilidades de dores
E acordei com o querubim.

Amarrei minha égua à sombra
Cochilei e engoli dissabores
Implorei as deusas formas terrais
E acordei com o bem-te-vi.

Não compreendia de onde vinha
tamanho otimismo sem fim
Resolvi te encarar certa noite
E acordei sem ti.

Talvez melhor viver aqui
Longe de mim.

Rodada 67
Imagem: Lucia Dias
Texto: Carolina de Araujo