quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O Espelho

Imagens fragmentadas do passado
no espelho:
os eus se confundem,
a regressão se inicia.

Como encará-los ?
Olham-me sem nada entender,
fitam-se absortos e
o espelho cai.

Pedaços maiores, coisas de outras épocas,
se enterram na carne imutáveis,
mas constantemente reinterpretados.

Pequenos pedaços aparentemente se perdem.

E preso entre as paredes,
arranco os pedaços do corpo,
buscando não me ferir e também preservá-los.

Talvez mais dolorosa ainda seja a procura:
milhares de estilhaços perdidos, confundidos.

Esses só se acham quando não vigiados.
Surgem cravados fundo, e despertam-nos
quando o sangue jorra de cada corte,
hemorragia lenta e incontrolável.

Texto: André Calazans



Imagem: Bruno do Amaral

2 comentários:

  1. Belo texto, Calazans!

    Agora, que foto é essa!?! Bruno, vc não manda bem não, meu caro, você esculacha!

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