terça-feira, 20 de outubro de 2009

Lápis Azul


Imagem: Maria Matina


A minha caixa de colorir era azul. O banho todo me tomava em água de brincar. Acontecia assim: água quente-fria-tempo. Demorava seis banhos em pé pra encher a banheira até lá em cima. Banho deitado, em palavra de mãe, é de relaxar. Em palavra de menina, é de virar peixe. A gente entrava como se entrasse num quarto sem barulho. Tchibum era o único. Devagar pra não levar tombo. Depois, fazia nado que era de ponta a ponta na água. Onda quebrando pra fora, no chão. Não briga, mãe. O olho terminava o banho primeiro que eu por motivo de sabão, mas eu não saía. Assoprava a água pra fazer vida pro barco e ele ia. Às vezes, virava. Só quando a toalha vinha num abraço é que eu tinha que sair. Até hoje é assim, me dá um lápis azul que eu desenho um dia feliz.

Texto: Ilana Reznik

10 comentários:

  1. Virar peixe. nunca tinha pensado numa banheira como um aquário de gente... é divertido!

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  2. Fofo, gostoso, azul!
    Parabéns

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  3. nossa q singeleza, imagem e texto. pura poesia desta dupla q nos gratificou, numa síntese de grafia e escrita, lirismo e cores, com uma pequena jóia. parabéns!

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  4. Nossa que lindo ficou esse texto, eu amei, achei super poético.
    Ficou parecendo texto daquelas belíssimas propagandas da Natura.
    Parabéns!! Adorei a nossa combinação.

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  5. Trabalhar em cima dessa imagem é que foi uma delícia. Ela por si só já era muito inspiradora.

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  6. Poxa ! que deliciosa expressão ! Parabéns as duas que me transportaram nesse doce banhar ! Grata !

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  7. Bonito demais. A imagem e o texto pareceram duas meninas conversando. Uma intimidade desconsertante de tão simples.

    Parabéns!

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  8. Pra mim a Ilana é a escritora mais poética da atualidade. Tem uma sensibilidade muito grande. Aliás, o desenho também é muito bonito.

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  9. Inspirador, imagem e palavra formando uma linguagem é bem o que eu venho tentando fazer.

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