sábado, 12 de dezembro de 2009

Película, vazio e fagulha

Apenas sensações
como um gás que borbulha
mas não contém nada,
só vazio e fagulha.

Vazio que vibra
como um bicho vivo,
espaço que se expande
como um campo ativo,

e afeta todo o entorno,
irradia como bomba
- é aquilo que empurra
e também o que tomba.

Este vazio é uma máquina
inflamável e infalível,
ele até que serve
como bom combustível.

Este vazio é um relógio
que jamais interrompe,
ele pulsa incessante
no interior de um homem.

Neste vazio nascem
e se aniquilam mundos
numa conta de soma zero,
é um oceano sem fundo.

Este vazio é o que impede
seu descanso eterno,
é ele que faz a paz
tomar forma de inferno.

Neste vazio até cabem
milhares de partículas
que mal surgem e somem
como imagens na película.

Este vazio é um fosso
que logo enche de fantasmas,
ou seria de espíritos
a substância deste plasma

de sensações que oscilam
como ondas numa corda?


É o que move se parado
ou, se dormindo,o que acorda.

Texto: Guilherme Preger



Performace baseada no texto: Renata Mafra

2 comentários:

  1. Comecei a ouvir uma voz no som de um tempo, sem relógio, hora ou dia, num ressonar gostoso de quem sobe num telhado e de lá fica ouvindo: acorda, fotografia, vazio, fagulha, ondas, película, fantasmas, fantasmas, infalível...
    Era o poema de Guilherme e o vídeo de Renata.

    ResponderExcluir