sábado, 13 de março de 2010

Quase


CARTA DE UM SUICIDA

Eu posso desassinar o informativo da dor? (pede-se vomitar no banheiro)

Não consigo reciclar esse meu lixo. Mas eu continuo vivo. Eu continuo vivo.

Não há nada que eu possa fazer, mas continuo tentando. Lutando contra meus próprios soldados. Fugindo da minha própria chuva.

“C’est bien la pirre peine”, disse o Verlaine certa vez. Existir.

(pede-se vomitar no banheiro) Sou tão infeliz que se fosse triste me desintegrava. A qualquer hora, em qualquer lugar.

A safra agrícola deve chegar a 140,5 milhões de toneladas em 2008.

“Seu olhar trai seu sorriso” – ele me disse. Meu nome é angústia. (pede-se vomitar no banheiro)

Já é hora de partir mas não há nada para descobrir.

A vida é só pra dar um gostinho.

Texto por Maíra Fernandes


Imagem de Pilar Domingo, inspirada no texto.

2 comentários:

  1. Maíra, que lindo texto!!! Só li agora!!! Lindo lindo lindo! (pede-se não vomitar)

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