segunda-feira, 5 de julho de 2010

Guarde-se

Guarde-se esta noite
porque chove
e a mais espessa substância
o vento revolve.

Guarde-se pois há uma ânsia
de dissolução
que fé alguma absolve.

Guarde-se esta noite
pois já passamos de 2009
e os dias são como enchentes
que as valas já não sorvem.

Guarde-se, ou o que resta
é beber e beber
e depois saber se escorre.

Guarde-se esta noite
para que se esgote
ou se esqueça a lembrança
do que já não se pode.

Guarde-se, pois o desejo
é sutil e traiçoeiro
e trouxe um revólver.

Texto por: Guilherme Preger


Imagem por: Ana Muniz, inspirada no texto.

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