sábado, 10 de julho de 2010

Enquanto buscava tua sombra arredia,

a pálpebra pesada do mundo

caía em sinal de alerta.

Sinal da impossibilidade

de detectar no tempo e na memória

aquilo que se esconde dentro dos olhos.



O que seria necessário

para que nossa química

fosse um composto perfeito?

Para que tudo

- saliva, pelos e extras -

não virassem fumaça azul

no tubo de ensaio forrado de cetim?



Que seria preciso

para que tua ausência se acabasse em mim?

Para que escutasse teu absurdo gritando na noite

o meu nome em vão?



Mas tua sombra vadia

se esgueirava entre outras sombras

e fiquei calada num canto

esperando a luz se apagar.



Texto: Maria Emília Bertino Algebaile


Imagem: Théo Moreira, inspirada no texto. - perfil

3 comentários:

  1. Texto e imagem se combinaram de maneira maravilhosa e sombria... Muito bom!

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  2. bonito diálogo, a imagem de théo moreira é desesperadamente bela e o poema de Algebaille é um lamento assombrado.

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