segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ilinx

Imagem de Fernanda Franco

Todo jogo tem sua morte
aguardada, desejada,
supõe aniquilamento.
O jogo, qual uma janela,
onde entra súbito vento,
abre a brecha por onde a sorte
mal sustém seu quase nada.
O jogo é mero movimento,
por qual vai e volta aquela
insistente atividade
não se sabe para qual futuro.
O jogo voeja, inviável,
por entre invisíveis muros
e livremente balança
sua estrutura tão frágil.
O jogo não é mais que dança
e rodopio
              e salto
                        e vertigem
num palco onde se encena
a inquebrantável esperança.
Ou é o jogo a luta em ato
que trava em suspenso ringue
seu ferrenho pugilato.
O jogo, nada o atinge
porque tampouco ele existe
além do que já se foi.
Ele não passa desta triste
e inexplicável peça
onde um batido idiota
simula o agonizante herói
e cuja linha de história
recomeça e recomeça
clamando apenas:
                   Derrota,
onde está tua vitória?

Texto por Guilherme Preger

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