quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Big Bang

Vermelho. Vermelho pulsante. Energia. O entorno era como uma aurora boreal psicodélica. Não sei se a imagem estava em minha mente ou se eu efetivamente via. Não sei por que não pensava, não me perguntava. Sentia algo que partia do meu baixo ventre e se expandia para o ambiente, ou para o universo, não sei e não importa. Se expandia, sem dúvida, para todo eu, self, id, ego e superego, tudo numa coisa só, vermelha, latejante, forte, frenética, pulsante, pulsava.

Num momento, a aurora boreal que me cercava entrou num ritmo alucinante, riscos para todos os lados, traços de azul, violetas, em meio ao vermelho. Me vi de costas, também vermelho, circundado por uma aura azul, sem, em qualquer momento, parar de sentir o sentir no baixo ventre. A sensação foi ficando mais forte. A freqüência das vibrações era num ritmo que já não se podia acompanhar. Alguma coisa estava prestes a colapsar, a eclodir. Todo sistema tende ao caos. Caos. Sentia-me um dragão preso num ovo de codorna.

Big bang!

Tudo voou para os lados. Os raios vermelhos, púrpuras e azuis escoaram para as partes ainda vazias do universo. Ao meu redor, o criado mudo, a luminária e a cama estavam novamente lá, me dizendo pelo encarar “o que houve, seu lunático? Em que nossa corriqueira presença te espanta?”. Ainda sob o efeito do choque do retorno te vi num canto limpando a boca. Fui à cozinha pegar um copo d` água.

Texto por Renato Amado






Imagem por Ana Muniz

5 comentários:

  1. Bela pintura, Ana. Lembra uma nebulosa. Valeu!

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  2. Foi o que pensei mesmo ao ler o texto.
    Que aliás, gostei muito.

    Valeu pela parceria!

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  3. Renato nos traz um texto bastante velado, diz sem dizer. Escondido no que não se desvela, existem múltiplas possibilidades de interpretação.

    Unido à imagem, então, as possibilidades, em vez de se afunilarem, se multiplicam.

    De minha parte, acredito que é ótimo quando o leitor lê e é convidado a participar do processo de escrita do texto, colocando seus próprios vieses, pontos de vista e peças do quebra-cabeça.

    O resultado é surpreendente e exclusivo para cada um que lê. =D

    Abraços,

    Igor

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  4. gostei muito do txt do renato, mais sintético do q os anteriores, mantendo o tom do fabuloso, do fantástico mas em tom menor, o q me agrada mais.
    mas o q gostei msm foi esta imagem incrível, vibrante, da ana...

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