segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Escritório



Esse barulhinho cotidiano
de passos, de máquina de escrever,
de janelas batendo sem querer
ou de trovão, é, sem qualquer engano,

uma angústia torta do ser humano,
que se fia nele sem perceber,
mas de um jeito estranho, sem o poder
que se costuma atribuir, e o plano

é, então, musicalizar as bossas,
empoderar esses surdos ruídos
pra que os tímpanos dos homens recebam

as catarses dos dias destruídos
na minúcia da rotina, e que sejam
felizes no curtir de suas fossas.

Música: Gilson Beck.
Texto: Igor Dias.

4 comentários:

  1. Muito legal. Só faltou a chuva caindo e seria riders on the storm.

    Acompanho todos os e-mails. Fico meio voando, mas acompanho. Agora só me falta responder.

    Abraço a todos.

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  2. Into this house we`re born. Into this world we`re thrown.

    Já tinha me amarrado no post, depois da associação da Letícia, então... tenho verdadeiro fascínio bela citada banda californiana. Mas acho que efetivemente tem chuva caindo no final, não tem?

    Abraços.
    Obs: there`s a killer on the road.

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  3. nossa, q coisa fantástica este soneto decassilábico do igor, preenchendo de metafísica a "música-de-escritório" fantasmática do gilson (atenção pessoal: não há portas (doors) nesta existência de escritório...). adorei "as catarses dos dias destruídos". assim, o clp arrebenta!

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