quarta-feira, 27 de outubro de 2010

FACA AMOLADA



Imagem de Bruno do Amaral


Não é exatamente isso...
Deixa eu tentar explicar:
É como se fosse um nó
entre o apêndice e a vesícula.

Como se um buraco houvesse -
mas um furo bem pequeno -
acima do diafragma,
bem entre um seio e outro.

Quando rola um distraída,
eu nem lembro do furinho.
Mas, quando o vento é gelado,
a menor célula dói
(e doi não tem mais acento...).

É como aquela pergunta:
mas ele, não o seu corpo,
o ele que eu conheci,
agora que já morreu, onde é que foi parar?

E é isso que não entendo,
que torna o ar feito pedra.
É isso que corta a pele,
tal faca que sai rasgando:

Marcando o amor na madeira.
Manchando de sangue o corpo.


Texto de Maíra Fernandes de Melo

3 comentários:

  1. ué a maíra está atacando de poeta, é? eu estou adorando esta rival... e a imagem do bruno é uma faca só lâmina...

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  2. kkkkk, tô nessa onda agora, menino, sei lá por quê. mas estou ainda a muitos anos-luz de distância de você, baby!!!

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