segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Verão Infinito

E quando as grandes geleiras
começarem a descer
e os oceanos começarem a subir,
quando o bombardeio de raios UV
eliminar a última réstia de sombra,
ficará absolutamente claro
não haver mais saída daqui.

Tão logo se estabeleça
o definitivo verão
não se verá mais o cego
errar sem destinação
e toda obscuridade
será enfim eliminada
na mais soberba iluminação.

Nenhum sonho em vão
alçará um voo noturno
para além da imaginação
e na noite, com toda clareza,
duas solidões serão
apenas duas solidões
umedecendo o mesmo colchão.

Quando as carregadas nuvens
se precipitarem sobre os cumes
das montanhas, quando as trovoadas
ensurdecerem os sussurros
mais abrasivos, ninguém imune
estará e todo o orgulho
escorrerá por entre as águas.

E sob o vapor intenso
desse infinito verão
quem seria então
o primeiro a dizer Não!,
e quem, vendo as enxurradas,
estenderia sua mão
a clamar por salvação?

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Texto: Guilherme Preger
Imagem: Fabiano Gummo

2 comentários:

  1. Gostei muito desse 'jeito cordel' que deixa a poesia fluida. E o texto é ótimo, permite múltiplas possibilidades de leitura.

    Que esse verão seja, para o bem e para o mal, como todos os outros: infinito [enquanto dure].

    Obs: A imagem do Fabiano foi perfeita ao transpor a multiplicidade do poema e do próprio verão para essa imagem de seres múltiplos. XDD

    Um abraço,

    Igor

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