segunda-feira, 11 de abril de 2011

Largo da Carioca, 13:00h



“Senhores, trago aqui esta caixa e lhes proponho um desafio. Eu quero ver quem acerta o que é que tem dentro da caixa. Como vocês podem ver, a caixa é toda branca, lacrada. Vocês todos que estão atrás da caixa, podem ver que é lacrada. Eu não tenho como colocar nada dentro dela. A caixa tem um fone de ouvido e um olho mágico. Ali em cima do olho mágico, tem um papel celofane azul, mas nem adianta olhar que não dá pra ver o que tem dentro. O desafio é o seguinte. Tem que acertar o que tem dentro da caixa, mas só pode ouvir. Bota 1 real nesse pote aqui do lado e escuta aqui no fone o som que vem lá de dentro. Pode ouvir no máximo por vinte segundos. Muito simples, muito fácil. Quem acertar, leva toda a grana que tem dentro do pote. Se acertar, eu falo e dou o dinheiro. Senão, espera um pouquinho que daqui a algum tempo, quando ninguém mais quiser apostar, eu deixo vocês olharem no olho mágico e ver o quê que tem lá dentro. Alguém quer começar?”
“Ih, moço, barulho estranho. Acho que é alguém serrando alguma coisa.” Não!
“Acho que são moscas.” Não!
“Uma geladeira descongelando.” Não!
“Alguém tocando um chocalho.” Não!
“Um ar-condicionado.” Não!
“Uma moça sacudindo uma garrafa d’água.” Não!
“Alguém riscando um azulejo.” Não!
“Meu Deus, é alguém gritando.” Não!
“Barulho de teclas de computador”. Não!
“É aquele pessoal que faz aqueles barulhos com a boca.” Não!
“Gente brincando com um isqueiro.” Não!
(...)
À medida que o valor no pote ia crescendo, a aglomeração em torno da caixa crescia junto. Depois de ter arrecadado mais de R$700 em uma única tarde (o que corresponde a impressionantes setecentos palpites errados, pelo menos), ele deu o jogo por encerrado e liberou o olho mágico para que as pessoas pudessem ver, enfim, o que se passava dentro da caixa. Formou-se uma grande fila para o olho mágico.
As pessoas saíam da fila assustadas, não como se lhes houvesse faltado a imaginação ou a criatividade na hora do palpite, mas como se não pudessem acreditar no que tinham acabado de ver.

Imagem: Fabiano Gummo
Texto: Igor Dias

3 comentários:

  1. poxa, fantástico o txt, igor, parabéns! e a imagem do gummo é insólita, como são suas imagens. um ótimo conjunto, surpreendente!

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