terça-feira, 30 de agosto de 2011

Caminhada na praia


Se tem uma coisa que eu não aguento, são essas pessoas na praia. Essas todas aí. Cada uma delas, como vocês podem ver na foto. Essa foto foi tirada pela minha câmera digital ultra capacitada de última geração que acionei apenas com o piscar de minha pálpebra esquerda. Com a direita, a máquina imprime a foto e uma bela canção emocionante é executada em seu alto falante. Tirei a foto pois estava com muita raiva delas, as pessoas da praia. Tirei a foto enquanto bufava e urrava de raiva. Escorria uma espuma espessa de minha boca, que fez com que minha camisa ficasse grudada no meu peitoral ultra forte e poderoso. Depois de tirar a foto, destruí a minha câmera digital de última geração com os dentes. Assim. Vejam as minhas mandíbulas poderosas. Elas tem o poder magnífico de destruir câmeras digitais. Podem destruir até cabeças de bebês ou qualquer outra coisa que venha parar perto de minhas mandíbulas animalescas. Mastiguei (aos berros) a máquina e algumas pessoas ficaram olhando, eu berrei "O QUE FOI???" e dei um socasso em cada uma, fazendo suas cabeças explodirem, foi como furar um balão de festa, teve até aquele estouro agudo. O bebê que estava no carrinho da mãe que teve a cabeça estourada começou a chorar, então apontei para ele e fiz uma cara muito séria e compenetrada, e no momento em que ele me viu fazendo isso se silenciou. Eu disse "Muito bem". Nesse momento chutei o carrinho e o bebê voou para o outra lado da rua, se chocando contra um ônibus que passava em alta velocidade. O bebê ficou grudado, morto, no para-brisa, escorrendo lentamente enquanto o motorista gritava de horror. As pessoas em volta ficaram me olhando com uma cara estranha e gritei "O QUE FOI???" exibindo os meus punhos reluzentes e destruidores de vidas fracas. As pessoas ficaram com medo e saíram correndo aos berros, assustadas com o meu poder e presença apocalíptica. Eu disse "Isso, corram feito melecas descendo um bueiro", e fiquei brandindo meus punhos no ar, de forma máscula e circense. Uma pessoa de bicicleta passou me xingando, dizendo coisas difamatórias a meu respeito, e para puni-la exibi meu falo alado, luminoso e instigante, que faz os céus ficarem mais belos e as moças mais coradas e impulsivas, e o coloquei no meio da roda da bicicleta, fazendo o pessoas que me xingou voar e bater com a cabeça numa árvore. Sua cabeça afundou para dentro do corpo e um rio de sangue começou a jorrar, além de que uma parte da coluna vertebral ficou para fora da bunda. Eu disse "Isso é bom". Após isso, fiquei com muita raiva e comecei a correr pela areia da praia, espancando todas as pessoas que encontra pelo meu caminho. Pegava a pessoa e espancava seu rosto com muita técnica e carinho, destruindo cada pedaço característico de sua expressão, mastigando de forma ritmada os ossos do crânio. Os bebês que encontrava pela areia, os chutava na água da praia feito uma bola de futebol, eles iam voando e gritando de alegria. Quando encontrava alguma mulher atraente, ejaculava em seu rosto e vagina, para que pudesse se alimentar do meu líquido superior e para que pudesse usufruir de um filho sensual e destruidor como eu. Após algumas horas fazendo isso, me cansei. Sentei na areia. Por falta de sorte, sentei em cima da cabeça de um bebê, que adentrou a minha bunda. Para o meu azar, ele está dentro de mim, comendo as minhas impurezas e a minha carne. Em breve, estarei destruído e ele tomará o meu lugar.

Imagem: Marcos Sêmola
Texto: Rafael Sperling

5 comentários:

  1. Uau! Ler tudo isso de uma tacada só me deu uma sede do cacete! Bacana, Rafael, teu texto bate de frente com a fotografia do Marcos...

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  2. Cara, muito legal seu texto e mais ainda, a forma como ele começa a "distorcer" a imagem da foto, brincando com essa dicotomia beleza/repugnância. Mas "falo alado" foi muito bom! Lembra de uma expressão que meu pai costuma dizer quando as coisas vão ser difíceis: "vai ser o caralho de asa!" haushaushua

    Abraços,

    Igor Dias

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  3. Eu sei lá...não gostei não, mas me fez pensar....e se me fez pensar....deve ter algo bom. :-)

    Em tempo...não aborreça com meu soco direto...é apenas gosto pessoal. Procurei mais poesia quando fiz a foto.

    Abr,
    MS

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  4. Bem no estilo do livro do Rafael, festa na Usina Nuclear. O Rafael é um autor com um estilo bem forte e marcante. Leva os personagens e textos a um visceralismo sem limites. Não há ponderações ou meias-coisas, vai-se até o fim e o fantástico entra para alargar os limites deste fim. Muito bom. E sou suspeito para falar da foto do Marcos, porque sou apaixonado pela vista que ela retrata.

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