sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Feiúra e solidão em Ipanema, solilóquios:


Um belo dia, você vai ver, eu deixo de ser feio. Corto meu cabelo, faço a barba e perco essa barriga. Vou ser orla. Ou vou ser porto. De qualquer forma, vou ser encontro de água e terra, tomo um banho com um sabonete novo, me esfrego na lama, passo argila na cara. De mim sairão barcos, botes, fragatas; e elas virão com seus biquínis. Vou ser praia mesmo, coloco umas sandálias havaianas, faço uma tatuagem no braço, coloco um piercing na sobrancelha esquerda. Vou ser forte: marinheiro, salva-vidas, estivador. Eu vou ser fetiche, você vai ver.

[cansei dessa intelectualidade barata.]

não quero ser tartaruga, quero ser gato. ainda que frágil, de porcelana, quero ser gato.

[cansei dessa escuridão turva do lado de dentro.]

eu estou no comando agora, sou gato, podem vir as mulheres e os barcos que eu tenho o Morro Dois Irmãos nas orelhas.

Imagem: Paulo de Resende
Texto: Igor Dias

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