sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Liberdade Distante



Asas suaves
Pelos no corpo
Caminho torto
Queda livre no ar.
Baque soturno
Pecado diurno
Sou feito um gatuno
Para te furtar.


Liberdade distante
Voo raro e rasante
Fuga desabalada
Rasgando o ar.
Pouso forçado
Tapa na cara
Ferrão afiado
Para te ferrar.


Beijo final
Face do mal
Caminho de terra
Não vou trilhar.
Pega o spray
Eu te esperei
Mas não fico aqui
Para te ver passar.

Caminho atrevido
Zumbido no ouvido
Vinte e quatro horas
Para te azucrinar.
Livre do asco
Serás meu carrasco
Bate com força
Me tira do ar.

Sou fera vencida
De mal com a vida
Sua mão atrevida
Não me fez parar.
Surto no campo
Seque seu pranto
Não freie o encanto
De me assassinar.

Fotografia: Paulo de Resende
Poema: Maria Emilia Algebaile

2 comentários:

  1. A imagem é fantástica! Lindíssima e muito inspiradora. E a Maia Emília soube fazer um texto captando as possibilidades imprevisíveis da imagem! Adorei!

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