sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Eufêmica



Um gole do dia como o dragão que habita a minha vida que não é minha por ser minha, mas por se saber vivida por mim e por estes seres que sou quando me vejo entre o eu que não sou e o outro que desmente. Claramente e obviamente sou a vidente de minha própria orientação que é poética e não sendo eclética é de linha única. Um monólogo de amor. O feno que alimenta o belo quadrúpede. Minha casa, cama, quarto e tremo de viver extremos e destilado o meu destino arrebento a máquina que pensa por mim e contrai minhas dormências de existir. Exige de mim este viver. Este querer. Este território calmo e árido e fértil que sou eu e o outro ser que mente. Esta pálida retina que observa a vida e não abuso de deus. Tenho com ele um falar tranquilo e não há de me aconselhar porque sabe que pisar em falso em soneto de rima com esquina é meu pronome que verbos e tempos me admiram. Sou a minha mulher grávida, farta de repouso, procurando registro e minha língua é a língua que não atravessa rua, não evita galerias sujas e porta bandeira sem destaque de brilho. Minha mulher de mim me assusta destemperada e romana. Bruta figura de minha sexo dualidade. E que dever posso exigir desta mulher que me gosta e me conhece maltratando e recriando o gênesis de minha vasta existência? Tudo a vida. Sou a minha mulher e amo quando deito ao meu lado, silencio meu falo tanto e me beijo de lírico gosto de novo começo e me conheço. Nunca há de me abandonar esta minha mulher que sou.

Imagem: Maria Matina
Texto: Letícia Palmeira

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