terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

- O que há com as cariocas?

- Carioca: aquele que é oriundo da capital do estado do Rio de Janeiro.

- Por que elas não me querem? Não consigo entender.

- Entender: verbo que denota compreensão.

- Se eu morasse em outro estado seria um Don Juan.

- Don Juan: comedor.

- Devo me mudar?

- Mudar: deslocar-se de um local para outro com ânimo definitivo ou de longa permanência.

- Não sei... O que acha?

- Achar: ter uma opinião sobre alguma coisa; encontrar algo.

- Penso que sim, mas...

- Mas: conjunção adversativa.

- Mas e o meu emprego?

- Emprego: venda da força de trabalho em troca de uma remuneração.

- Peço transferência?

- Transferência: mudança.

- É, acho que é isso que eu devo fazer.

- Fazer: tomar determinada atitude, realizar certa ação.

- Essa sua definição está errada.

- Errado: aquilo que não é correto; o que discrepa da realidade.

- Se “fazer” fosse tomar determinada atitude, realizar certa ação, como as pessoas responderiam à pergunta “o que você está fazendo?” com “não estou fazendo nada”? Ora, claro que o nada também é um fazer, se não as pessoas responderiam “não faço”. Então, “fazer” não é, necessariamente, tomar determinada atitude, realizar certa ação. Pelo contrário, pode ser a ausência delas.

- Delas: “de” mais “elas”. O que pertence a elas.

- Não concorda?

- Concordar: estar de acordo; consentir.

- Portanto, você terá que encontrar outra definição para o verbo “fazer”.

- Fazer: tudo.

- Faz sentido, afinal, se aquele que nada faz na verdade está fazendo, isso significa que o nada pode ser definido como um fazer, portanto o fazer é tudo, se dele nem o nada escapa. O que está morto, logo mergulhado no nada, então está fazendo, não faz sentido?

- Sentido: direção; que tem lógica; posição militar de rigor.

- Caramba, todos fazem! Até uma pedra faz, afinal, a pedra é como um morto e está no nada, logo nada é o que ela faz, então ela está, de uma certa forma, fazendo, afinal, posso dizer, “a pedra faz nada”. Esse é o seu fazer, o nada.

- Nada: completa ausência.

- Rapaz, o nada não existe, pois até nessa suposta completa ausência há o fazer, logo não existe completa ausência, de forma que não existe o nada.

- Nada: ausência de tudo, menos do fazer.

- Boa.

- Boa: o que é bom, no feminino.

- Mas se o fazer é tudo e o nada é a ausência de tudo, menos do fazer, na verdade o nada é tudo, de forma que são palavras sinônimas e se a vida é tudo e a morte é nada, elas são absolutamente idênticas.

- Idênticas: coisas absolutamente iguais.

- Essa sua mania de definir tudo está me irritando.

- Prefere que eu defina nada?



Texto: Renato Amado.


Imagem: Diego Kern Lopes

3 comentários:

  1. Excelente jogo de palavras, Renato. Heidegger e seus amiguinhos gastariam pelo menos mais umas 500 páginas nessa definição, mas filosofia e lógica são muito mais divertidas quando expostas em prosa literária. :)

    Abraços,

    Igor

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