terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Superenrustido

Imagem: Marcelo Damm


Sempre achei ele enrustido. Aquela coisa mal resolvida com a gata da Louis Lane, que lhe dá um mole absurdo, e ele não fode nem sai de cima. Fica pagando de tímido, mas não é nada disso; a real é que ele não gosta da fruta! E o gelzinho no cabelo? Não satisfeito em passar gel e usar topete, o cara ainda tem a preocupação de dar uma voltinha com um chumacinho do cabelo. Francamente, você acha que existe alguma possibilidade de um sujeito que monta um chumacinho daquele não ser gay? E não venha com papo de metrossexualismo... que isso é normal lá em Metrópolis... Aquela voltinha no cabelo e a cueca pra fora aniquilam qualquer possibilidade de dúvida. Isso sem falar no faniquito que ele dá quando vê criptonita: mariquice pura. Afinal, ficar vulnerável com pedra rara na frente é um atributo essencialmente feminino.

Enfim, são diversos os indícios de que o Super-homem não faz jus ao codinome. E não sou o único a achar isso. Um dia em que passei pelos estúdios da Marvel Comics cruzei com o Fera, que achava a mesma coisa. Vamos conversando... conversando... e fomos descobrindo que nenhum de nós sente grande simpatia pelo sujeito. Vem lá de outro planeta e se coloca como o maior super-herói da Terra. Acho isso, no mínimo, um desrespeito, pra não dizer ultraje mesmo, além de pura cara de pau. Já que ele consegue voar pelo espaço tão rápido a ponto de inverter a rotação da Terra, por que não busca algum planeta com carência de super-heróis? Aqui já há muitos. Num planeta normal ser super-herói é garantia de enorme fama, mas aqui a concorrência é grande. Temos que ficar fazendo filmes expondo nossas biografias, e às vezes as pessoas sequer se interessam. O Lanterna Verde recentemente dobrou a quantidade de visitas semanais ao analista. E há casos ainda mais graves fora da DC Comics. Alguns praticamente caíram no esquecimento. Flash Gordon vive seus últimos dias num asilo. Spectroman está numa decadência tão franca que recentemente vi um vídeo dele comemorando o uso de sua música como tema de um grupelho de carnaval. Os Flashman entratam em crise de identidade e já não conseguem mais se diferenciar dos Changeman. Já o Superenrustido... ah, esse segue campeão de audiência. Há décadas considerado o maior de todos os super-heróis. Até série sobre sua vida amorosa já fizeram! Puta que pariu! Isso era inédito! Não acreditei quando vi! Isso foi a prova definitiva de que ele gosta de um flash. E quem mais gosta de flash no mundo? As bibas, é claro!


Passei na escola do Dr. Xavier durante o carnaval. O negócio estava às moscas, tinha todo mundo viajado pro Brasil. Só tinha ficado o Fera. Peguei com ele o que me prometera. Estava tudo arranjado.


A Mulher Maravilha – que desde uma tal crise não gosta da Louis Lane -, conforme o combinado, já estava dando mole pra ele há uns dois meses, mas a bichola não demonstrava nenhum interesse. Falei pra ela: “Mulher, fala pra ele que você gosta de brincar com a porta dos fundos. Vê se não vai funcionar. Introduz o assunto aos poucos.” Tiro e queda. Uma semana depois eles estavam transando. Aí foi só correr pro abraço: tomei a poção que o Fera me deu e fiquei parecendo um bicho de pelúcia. A Mulher me embrulhou pra presente e ele não conseguiu esconder as desmunhecadas quando viu o Batman de pelúcia. Fiquei até com um pé atrás. Mas tudo bem, naquela noite eu acabaria com a reputação do Super-homem e o mundo finalmente saberia quem é o super-herói em que deve confiar, afinal, não basta bater em vilão, tem que ser macho, porra! Já viu super-herói veado?! Não faz nenhum sentido!


Só que fui apunhalado pelas costas. Só pra me sacanear a Mulher Maravilha inventou alguma desculpa pra não dormir com ele naquela noite, e tive que aturar dormir abraçadinho com o Superenrustido. Mas ela não perde por esperar. O batconsolo que estou desenvolvendo só pra ela vai fazer aquele Garanhão que a Circe providenciou há uns anos parecer pônei. 


No dia seguinte, quando eu já estava cheio de super-baba, a filha da puta da Mulher Maravilha apareceu. E tudo correu conforme o combinado. Nas preliminares ela virou o Superenrustido de costas, o botou de quatro e créu! Fio Terra Maravilha pra minha super-hiper-micro-batcâmera implantada na minha batbota ver! Como o rapazola é enrustido, ele ainda não aprendeu a controlar o esfíncter anal, de modo que quando a Mulher cravou o dedo com vontade ocorreu um pequeno acidente de percurso, mas dane-se, eu já tinha o que queria, e a Mulher bem que mereceu depois da sacaneada que me deu. Já lancei a imagem na internet e agora pode ser vista e comentada em vários links, como aqui.




Texto: Renato Amado.

5 comentários:

  1. Nossa, eu morri de rir aqui. Simplesmente demais, por que eu nunca pensei nisso?

    ResponderExcluir
  2. Sensacional, Renatão!
    Obrigado pelo texto, sensacional!


    Bat-consolo... Medo!

    Damm

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu que agradeço a essa imagem impagável!

      Excluir
  3. MAravilhoso!!! morri de rir!!

    ResponderExcluir