terça-feira, 1 de maio de 2012

EU GOSTO DAS HISTÓRIAS QUE A MINHA BABÁ CONTA




Eu gosto das histórias que a minha babá conta. São boas histórias e tem sexo. Eu gosto de sexo. Embora tenha apenas 3 anos. Eu nunca fiz, mas sei como é o sexo. Já vi na Internet. Tem muito sexo na Internet. Acho que se eu passasse a vida inteira sentando na frente do computador vendo filmes de sexo, sem parar nem para dormir nem fazer cocô, eu não conseguiria ver todos os filmes de sexo que existem. É uma pena que não tenham filmes de bebês fazendo sexo. Apenas adultos. Eu não sou adulto. Não tem como eu fazer aquelas posições sexuais. São muito difíceis. Necessitam de uma musculatura desenvolvida. Eu mal consigo andar. Qualquer coisa me estabaco no chão, e fico lá, chorando feito um bebê. Mas eu sou um bebê. Vejam só. É uma ironia. Eu fiz uma piada. Não sei fazer sexo, mas sei fazer piadas. Quem sabe eu consiga sexo usando alguma piada assim? Minha babá conta histórias engraçadas. Elas tem sexo e são engraçadas. Imagino que uma história que tenha humor e sexo ajude você a conseguir o sexo. Aí você conta a história, ri, e faz sexo. Faz sexo rindo. Você e a menina. Você não, eu no caso. Rindo e fazendo sexo. Ela também. Eu nunca vi um filme de sexo no qual as pessoas riem fazendo sexo. Isso é normal? Sexo é algo bom, eu imagino. Você deveria estar feliz enquanto faz. Mas não, tudo o que vejo são pessoas sofrendo e gritando. Gritando por Deus. Franzindo o rosto. Urrando feito animais. Eu gostaria de ver um filme de sexo verdadeiro, que transborda a verdadeira alegria do amor. No filme de sexo perfeito, as duas pessoas estão num jardim belo e florido. E eles possuem muita comida à sua volta. E muita música. Eles ouvem música e comem. E dormem. Depois que dormem se levantam e fazem sexo na grama. Eles fazem sexo sorrindo. Sorrindo e contando piadas. Fazem sexo gargalhando. Afinal, sexo é algo divertido. Eles fazem sexo gargalhando e comendo sorvete. E vendo um filme de comédia, para potencializar a felicidade e o riso. Aí eles terminam o sexo e dormem, ali mesmo onde estão, na grama. A minha babá conta histórias sobre como ela transou com o meu vizinho e com meu irmão mais velho e com o meu pai e com o meu avô. Acho que ela não acredita que eu entenda essas histórias. Pois ela fica contando, e quando minha mãe chega ela para de contar. Mas, embora as histórias sejam boas, ninguém ri durante o sexo. Eu tenho vergonha de perguntar isso pra ela e ela perceber que eu entendo as histórias e ela nunca mais contar histórias de sexo pra mim. Eu acho que eles devem rir durante o sexo, só que ela tem vergonha de contar. Afinal, isso é algo muito pessoal.

Texto: Rafael Sperling
Imagem: Marcelo Damm

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