sexta-feira, 1 de junho de 2012

Eu Danço Com os Hamsters na Floresta


Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá
Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá

Nós cantamos muitas canções alegres
E dançamos pelados
Brincamos de pular na lama
E de roer madeira

Soa o alarme:
-É hora de cirurgia cerebral!! Quem se candidata?

Os hamsters ficam gritando como loucos, todos querem ter o cérebro operado.

-Ok, você será o primeiro felizardo.

Abro o seu cérebro. E retiro todo o seu conteúdo.

Ofereço-lhe, numa pequena colher, um pouco de sua própria massa cerebral. Ele diz:
-Muito obrigado. É, de fato, muito delicioso. Diria, uma iguaria.

Então ele devora o resto de seu cérebro e voltamos a dançar.


Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá
Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá

Nós cantamos muitas canções alucinantes
E dançamos nos exibindo
Brincamos de pular no lixo
E de mastigar madeira podre

Soa o alarme:
-É hora de espancar o colega!! Quem se candidata?

Os hamsters ficam gritando como loucos, todos querem ser espancados.

-Ok, você será o segundo felizardo.

Ao meu sinal, todos começamos a espancá-lo. Quando ele está quase morto, vejo que está tentando dizer algo:
-Muito obrigado. Foi, de fato, muito agradável. Estou me sentindo revigorado.

Então ele se levanta de sua poça de sangue e voltamos a dançar.


Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá
Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá

Nós cantamos muitas canções grotescas
E dançamos esfregando a genitália
Brincamos de pular no nosso próprio cocô
E de comer madeira podre e contaminada

Soa o alarme:
-É hora de cometer suicídio!! Quem se candidata?

Os hamsters ficam gritando como loucos, todos querendo se suicidar.

-Ok, você será o último felizardo.

Ao meu sinal, ele se suicida. Quando ele já está morto, vejo que está tentando dizer algo:
-Muito obrigado. Foi, de fato, uma experiência diferente. Estou me sentindo um pouco estranho, entretanto.

Então, como ele não consegue mais dançar, deixamos seu corpo estirado no chão, para que apodreça, e voltamos a dançar.

A dança continua deliciosa. Mas como tudo que é bom dura pouco, após alguns dias de dança ininterrupta nossas veias e articulações da perna começam a falhar, e começamos a cair pelo chão, lutando ainda, para continuar a dança.

-Não parem! Não parem! Dancem!

Logo me dou conta de que estou estirado em cima de uma montanha de hamsters mortos, madeira podre e contaminada, fezes, lixo, sangue, cérebro, e líquido seminal.

Como não tenho mais condições de me locomover, resolvo cantar uma última canção antes que eu me integre definitivamente à montanha que me acolhe:

Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá
Eu danço com os hamsters na floresta
Tra-la-lá

Nós cantamos muit...

(Nessa hora eu apodreço e morro)


Texto: Rafael Sperling
Imagem: Maria Matina

2 comentários:

  1. Maria Emilia Algebaile1 de junho de 2012 13:43

    Nossa! Estou calada dentro do meu quarto pensando nesse maravilhoso post que acabo de ler...trá-lá-lá...Muito forte! Imagem e texto perfeitamente harmonizados! Parabéns à dupla!

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