segunda-feira, 11 de junho de 2012

Resenha: “Além dos Sonetos Breves”, de Igor Dias


Tem muito mais poesia além dos sonetos breves. Igor Dias, em sua estreia como poeta, apresenta um livro vigoroso, repleto de belas metáforas e trabalho intenso de linguagem que merece uma leitura atenta e cuidadosa.
A primeira parte do livro, “Além”, é composta de cinquenta e cinco poemas inquietantes, questionadores e prenhes de dúvidas existenciais e de perplexidade diante das coisas da vida. São versos que embaralham sentimentos, buscam descortinar alguns dos clássicos mistérios de nossa existência e apontam momentos em que o eu lírico do autor constata a religação entre sagrado e profano como única forma de transcendência: “ Eu rezo tão alto quanto eu gemo” . Ao mesmo tempo, e talvez por isso, acabe por (re)conhecer as interdições que impedem o crescimento e o aperfeiçoamento do homem no seu sentido filosófico, a partir da simples constatação dos limites individuais, como em “apenas fita o cigarro que, nunca inteiro, Já nasceu pra sempre guimba”.
Na segunda parte, “Dos Sonetos”, utiliza uma forma clássica para um conteúdo que passeia por sentimentos particulares: “É que não sei se sinto ou se senti/o que eu sinto agora, e com essa força,/reconsidero que ainda me arrependa/do que eu não investi certo, mas torça/pra que essa minha vontade estupenda/faça que eu veja mais o que perdi”, num jogo de rimas bastante interessante e que refletem o trabalho do escritor inquieto e inconformado que faz da poesia sua fuga – ou seu encontro consigo mesmo.
Para finalizar, o jovem autor apresenta em “Breves”, ora de forma angustiada, ora de maneira lúdica, frases de efeito e poemas curtos, que apontam a preocupação com o fazer literário como molde para a vida: “opto ser inteiro/volto a ser literário”, entre outras questões abordadas nos outros poemas, como desejo, amor, saudades...
Além dos Sonetos Breves, lançamento da Editora Oito e Meio, 131 páginas, uma leitura inquietante e recomendada, que marca a presença de Igor Dias no cenário literário carioca, um universo literário que cumpre muito mais do que promete em seu título.

Texto: Maria Emilia Algebaile

2 comentários:

  1. AMEI a resenha! Tenho a sensação de que a Maria Emilia atingiu o cerne das questões que cercam a minha escrita. Pessoalmente falando, fiquei muito feliz e lisonjeado com a resenha. Profissionalmente falando (e fazendo a crítica de quem faz a minha crítica, se é que isso é possível), achei a resenha muito bem escrita e caprichada; toca nos pontos-chave de algumas construções literárias e acho que instiga o leitor a querer saber mais sobre o livro.

    Obrigado, Maria Emilia!

    Beijos!

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