quinta-feira, 28 de junho de 2012

Solo


por entre as vicissitudes do solo recoberto
dentro das folhas secas
em amálgamas de terra revirada

nas curvas sinuosas das formas presumidas
além do perceptível
na lógica zodiacal do traço

através de um misto de palha e pegada
de carvão e tinta-rímel
perto e longe da pureza

é cravejado o chão que pisa
de semente ou de rastilho

folha, traço, carvão
tanto queima quanto brota

deus brinca de se esconder
no purgatório do possível



Imagem: Maria Matina
Texto: Igor Dias

2 comentários:

  1. q coisa bonita esse poema, com um ritmo cadenciado entre a oração e a canção, a escolha das palavras com extrema propriedade e acerto para uma imagem desconcertantemente sugestiva. um conjunto coeso em q é impossível fazer uma única reprimenda. parabéns pela beleza.

    ResponderExcluir