sexta-feira, 20 de julho de 2012

Meninas



De saias tao fartas
E horizontes distantes
Alegria nas pernas
E silêncios gritantes

São as meninas e suas danças
No vai e vem dos caminhos
São as meninas e suas tranças
Sempre de volta pro ninho

Num círculo virtuoso
Risos de moça e criança
São as meninas bailando
A nos encher de lembrança

Brincadeira ou coisa séria
Mais tarde se saberá
Que as meninas quando brincam
Estão de fato a zombar
Da vida que não conhecem
Da vida que vai chegar.

Rodopiando ligeiras
Como ligeira é a vida
Suas saias são bandeiras
De muitas terras perdidas

No embalo doce e leve
Da vida que vem e que vai
Vão-se as meninas pra sempre
E uma moça se aninha
No lugar da menina que sai

Tao lindas, diáfanas e belas
Seus pés não tocam o chão
Voam como borboletas
Momento de mutação

E ao vê-las assim bailando
Voltamos no tempo a cantar
Retomamos uma leveza
Há muito tempo perdida
Uma leveza da alma
Que dá sustentação à vida

Assim é o tempo que vem
Assim é o tempo que está
No rodopio do tempo
Ninguém há de duvidar
Somos todos belas meninas
Na vida a rodopiar...


Texto: Maria Emilia Algebaile
Foto: André Calazans

5 comentários:

  1. Maria Emilia Algebaile20 de julho de 2012 11:31

    Calazans, obrigada pela foto! Quanta delicadeza!

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  2. Emília, adorei essa poesia, diz tudo!

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  3. Muito bela a poesia da Maria Emilia e muito instigante a arte do Calazans, que é linda também. Fiquei curioso quanto à técnica da arte? É tinta sobre fotografia?

    Abraços,

    Igor

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  4. Igor, é uma fotografia de amigas da minha filha dançando quadrilha na festa junina do colégio. Não precisou nem aumentar o tempo de exposição, elas eram tão rápidas que o movimento saía, de uma maneira ou de outra, em todas as fotos. Essa foi a que ficou com o maior efeito.

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