sexta-feira, 14 de setembro de 2012

DIAS

A dor a luz o som o quente roxo dessas noites

A dor a dor a dor o dia
O riso frouxo do maestro surdo
O bater forte da batuta rouca
A força a crença (a ilusão)
O soco a força a dor (de volta)
O tudo o tudo é tanto o tudo
O quente a vista os olhos
Barulho o nada o nada
As nuvens brancas nuvem tudo é nuvem tudo é branco
E verde o verde claro o dia escuro
Fechado parede o dia a porta o muro
Branco tudo branco tudo nuvem
A dor que bate a fúria
A fúria o frio o sono
As nuvens o todo branco
A dor dormente a força da demência
O sono preso o sono todo
A dor o sono a noite o quente
O branco o verde o claro o escuro
O nada.





Poema: Saulo Aride
Imagem: Marcos Sêmola
Rodada 36 - Invertida

2 comentários:

  1. não me lembro de um poema do saulo nesse espaço. evoé poesia. o poema tem sempre a magia de múltiplos significados, como se explodissem. há dor, nuvem e há nada. há o branco e o escuro. e a imagem do semola me lembrou Goeldi no branco e no escuro. parabéns!

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