terça-feira, 13 de novembro de 2012

PARAÍSO




bicicleta abandonada
no meio do beco
escuro

interruptor que não será
correio que não
terá
carta de luz

chão de pastilha
insípido

bicicleta, desça o mundo
que eu quero parar

escada, me leve
em direção à luz,
ao sol

purgatório torto
degrau-pedal
[aqui-agora]

mas o céu se descortina,
paraíso,
para a luz ou para o asfalto,
a pé ou de bicicleta,
o céu se descortina,
paraíso,
para um ou para todos,
para longe da vista dos olhos,
paraíso,

inequivocamente fora

ponto de fuga,
paraíso,
que nasce do lado de dentro.

Texto: Igor Dias
Imagem: Marcos Sêmola
Rodada 38

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