sábado, 1 de dezembro de 2012

ARRITMIA




Arritmia

Certo dia, fui acordada, às 3:30h da madrugada, pelo meu coração. Estava completamente suada, com o bicho querendo sair do corpo, de tanto que batia, e a boca seca, muito seca mesmo.

Depois desta experiência, que se repetiu uma ou outra vez, mas de forma menos intensa, eu e meu coração paramos de nos entender. Se é que houve alguma concordância entre nós por um único instante da minha existência!

Agora, sinto medo que ele dispare e não pare de bater forte nunca mais, até cansar. Todos temos medo da morte. Ninguém quer falar. Mas eu passei a considerar essa hipótese todo o tempo. Afinal, meu coração não avisa mais quando vai descompassar e me deixar com aquela sensação de morte iminente, sem tempo nem pra me despedir dos amores e afetos mais próximos.

A partir destes eventos, parece que, de fato, entendi a raridade e a fragilidade da vida. É mesmo um sopro! Bateu algo fora do compasso e parou! Acabou!

Estão sendo bem complicados os meus dias. Tudo ficou tão maior e, ao mesmo tempo, tão menor. Mais menor, que maior.

Minhas noites nunca mais foram as mesmas. Sinto medo. Nunca senti tanto medo na vida. Tenho medo de deitar, dormir e não acordar mais. Ou acordar com o coração pulando da boca, mas sem tempo de chegar a qualquer lugar, onde seja possível regularizar o seu ritmo.

Já tive todos os diagnósticos possíveis e imagináveis. Entretanto, sigo sem entender, verdadeiramente, o que me ocorre. Nada me convence! Este é o pior momento pra uma coisa como esta me acontecer, seja lá o que isto for.

Tantas vezes, algo parecido foi esperado, previsto e até desejado. Mas, agora, não! Não lembro de qualquer outro momento que se assemelhe ao atual em termos de segurança emocional, principalmente. Por que justo agora? Por que não antes ou depois?

Todas estas questões passam na minha mente inquieta, enquanto estou deitada numa sala de exames (mais um!), com essa luz toda em cima de mim. Essa luz toda não é do bem! Se o fosse, eu compreenderia o que acontece com o meu corpo, mais especificamente com o meu coração.

Por enquanto, vou seguindo sempre à espreita de mais uma disparada, que eu não desejo a ninguém.



Texto: Ericka Gavinho
Imagem: Fernanda Franco
Rodada 38

3 comentários:

  1. Imagem hipnótica, um belo texto, ótimo casamento.

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  2. Que bom que você gostou, Calazans!
    Tinha um tempinho que não entrava aqui e só vi o seu comentário agora.
    Grande beijo!

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