terça-feira, 25 de dezembro de 2012

ôOôÔ




ôOôÔ
Cada vez mais fico com vontade de dizer menos sobre qualquer coisa, deixar o silêncio abrir assim, uma fenda entre as palavras, esburacar e ferir o aturdido companheiro ali do lado, incauto, desapercebido, montes de ideias.
Uma só é aquela realidade especial que vibra quando ouvimos a palavra incêndio: nossas almas ardendo eternamente naquele fogo todo, um inferno mais ou menos conhecido, pouco de desespero, muito de abraço, eu e você nós dois ali juntos e mal apagados.
ôOôÔ a vida é uma canção dos Smiths, o Morrissey vocalizando aquele ôOôÔ fanhoso dele e você dançando como se fosse uma louca, parece que perdeu o senso do que é teto e chão mas não você está em transe voltando agora com um sorriso meio tonto e sacana no rosto, toda bem feita de carne.
É um desespero sabia? Olhar isso de frente , depois de tudo o que aconteceu. Quanta coisa mudou em quanto tempo e tudo podia ter sido tão menos se a gente não quisesse  mas você quis, e nos beijamos no elevador como se aquela fosse a última vez que nos víssemos e parecia que ia tocar aquela canção do Lionel Richie e foi só do primeiro ao segundo andar, porque nosso quarto era o duzentos e dez com aquele frigobar cheio de coisinhas sei lá às vezes eu penso que a vida podia ser menos complicada, muitas convenções desnecessárias por exemplo eu e você aqui agora que  mal tem isso tudo devia ser como com garrafas longneck, facinho de abrir mesmo só girar e zup viu só
Texto: JD Lucas
Imagem: Fernanda Lefevre – estreando no CLP

Rodada 39 invertida

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