segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Do falso


A falsa escrita que me toma a mão às vezes
fala de mim, mas nunca exato como ocorre.
Ou por disfarce da vergonha de quem corre,
ou um exagero, meio spleen, lá dos ingleses.

Mas se pensar que é a lembrança, incontinente,
quem aparece, furiosa, e seleciona
os adjetivos que o teclado dimensiona
em letras falsas numa tela inexistente,

ao ver a foto do que tinha relatado
(nada hoje foge do registro obrigatório)
ou ao rever alguém que disse achar bonita,

sou derrotado pelos fatos do passado.
Por redenção, eu finjo um mea culpa inglório
e digo então: “Falso sou eu, e não a escrita”.



Texto: Saulo Aride
Imagem: Rudy Trindade
Rodada 39 – invertida

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