segunda-feira, 22 de abril de 2013

A Ladainha de Saudade (canto de capoeira)




Saudade era o apelido,
José da Saudade a alcunha,
sabido na freguesia
um homem de carne e unha. 
Trabalhava de pedreiro,
quebrava o duro do dia,
um homem de sapa e osso,
com o valor da valentia. 
À noite, caía a malta
no álcool da patifaria,
os Camaradas vingavam
a lida ao léu da alegria. 
Chegava sempre Saudade
lá no Rainha do Mar,
pedia sua cerveja 
e deixava-se tomar.
O vapor de fumo e flerte
era a essência do calor,
as conversas, como abelhas,
mesclavam-se ao mel do amor. 
Saudade a tudo absorvia
e a garrafa esvaziava,
todos viam ali Saudade,
mas José estava em Java. 
José viajava alhures
e quando a madrugada abria
o bar ficava vazio,
só Saudade permanecia. 

- Minha Rainha Sereia do Mar
não deixa Saudade voar...

Imagem: Fernanda Lefevre
Texto: Guilherme Preger

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