terça-feira, 9 de abril de 2013

do motivo




do motivo

Seu olho brilha, iluminado, e também chora
a dor da pele que se rasga ao ver a obra.
"Se está perdido, que se ache!" - é o que ela cobra
a toda hora, a toda hora, a toda hora.

"Na própria arte que se encontre", todos falam,
julgando ver na arte coisa que o redima.
"Mas se eu fizer arte por algo", ele os ensina,
"arte não fiz", e neste ponto eles se calam.

Ele não é só mais um tolo idealista
que acredita, contra tanta prova vista,
que todo artista só produz sem querer nada.

Ele tem ossos e sua carne é tão pesada,
que na epiderme que a tal obra destruíra
ele sente que a arte pura é uma mentira.

Texto: Saulo Aride
Imagem: Magali Rios

Rodada 42 - Invertida

2 comentários:

  1. Soneto é, de fato, uma coisa linda. :) Saulo está de parabéns pelo texto belíssimo sobre o 'papel da arte': ótima inspiração proporcionada pela imagem da Magali!

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