sábado, 11 de maio de 2013

POENTE




      Estão lá todas as cores, não me canso de admirar e tentar desvendá-las. Desde criança eu gosto de me deitar no chão e ficar olhando o por do sol. Alguém me disse que era o poente e eu sempre pensei que o sol se põe é dentro da gente, concluindo o ciclo de vida a morte a que nos expomos todos os dias. O poente.
    Sinto-me entre dois mundos, meio deslocada do tempo, uma sensação de entrega, abandono e uma nostalgia de um mundo que não vivi. Praia ou montanha, não importa. A altitude da terra firme não pode interferir nos caminhos a que me levam cada por de sol. Todos os dias, tão diferentes.
     Estão lá todos os matizes das possibilidades que não concretizei; estão lá todas as luzes que se apagam, pouco a pouco, como a chama de vida que vai se deixando consumir a cada dia vivido; estão lá todas as nuances de cada momento de solidão ou encontro. Todos os tons que me conduzirão à obscuridade.
     E amanhã, junto com os primeiros clarões, restaurarei as forças para viver mais um dia. Como se fosse o último.


Imagem: André Calazans
Texto: Maria Emilia Algebaile
Post extra para o CLP

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