sexta-feira, 17 de maio de 2013

SEREIA



E ela surgiu sereia
Nem das águas nem da terra
Também não era do ar
Cabelos finos de harpas
Olhos profundos de enlevo
Vivia para cantar.

Não era um canto sagrado
Era uma coisa mundana
Que enchia de prazer
Aflitos da raça humana
E a lua, o sol e outros astros,
Não se sabe bem por quê,
Resolveram punir a dama
Congelando seu viver.

Mas o efeito disso tudo
Foi contrário ao objetivo
E de todo canto do mundo
Do lugar mais escondido
Todo mundo se atreveu
E veio um povo esquisito
Na esperança de um milagre
Que jamais aconteceu.

Deram-lhe, então, um palácio
Flores raras e um altar
E ela encheu todo um lago
De lágrimas, tristeza e pesar.
O altar servia apenas
Pra sereia repousar.
Para sempre desejada,
Nem à terra nem ao ar,
Feneceu por sobre as águas
As águas que um dia a criaram
Para viver e sonhar.


Imagem vencedora do sarau CLP de 14/05/2013: Maria Amélia Santos
Texto: Maria Emilia Algebaile
Post extra

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