terça-feira, 9 de julho de 2013



a poesia não faz cópia
foda que fode a si própria

(onde o tato não tateia
e a vista desalcança)

quase o que falo
nem tudo que calo

(onde ouvido ensurdece
e toda força se cansa)

essa vaca
e seu leite condensado

(onde gente não existe
e do odor o olfato desiste)

uma fome
que se come

(onde o nada tem seu rosto
e paladar perde o gosto)

a si mesma
e a seu nome

(ali, onde o sonho tropeça
é que meu verso reversa)

Imagem: Rudy Trindade
Texto: Cesar Cardoso
Rodada 44

2 comentários:

  1. Aprecio bastante o seu blog e os seus posts. Sempre que posso tenho visitado o mesmo e delicio-me com o que escreve. Até coloquei na barra de favoritos :)

    Espero que continue com o bom trabalho.

    Cumprimentos

    Margarida Fonseca Dias

    www.brandleaderemaildatabases.com

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