sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dias de sol



Hoje estou completando um ano. 365 dias. 183 dias de sol, nos quais apareceram algumas nuvens em 93; 76 dias nublados; 59 dias de chuva intensa e 48 dias em que o tempo passou por mudanças, começando com chuva e terminando com sol ou vice-versa. Os dias, nessa região, quando começam de um jeito tendem a ir iguais até o final. Acho que tudo aqui é assim.
Gostaria de passar o tempo todo na cama, observando como o dia está. Podiam me nomear meteorologista oficial. Mas me botam para varrer os corredores, de manhã e de tarde. Minhas observações meteorológicas têm que ser rápidas. Varrer ocupa praticamente todo o meu tempo. E reclamam da minha lentidão. O por do sol é a única hora em que posso me deitar, virado para a janela.
A brisa do fim do dia revela o recorte da janela tomado pela cortina fina, transparente, balançando de forma quase imperceptível. À esquerda, os prédios da administração. Mais ao longe, o bairro invadido. Bem distante, as montanhas de pedra, onde sobreviveram as cabras. E por fim a bola avermelhada do sol, com seu calor sumindo, sumindo.
Me ponho a olhar direto para o sol. Mesmo que ainda esteja brilhante, sua luz não me causa nenhum dano. Fiquei cego no dia em que caí prisioneiro e me trouxeram para cá.

Imagem: Paula Sancier
Texto: Cesar Cardoso




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