sábado, 15 de fevereiro de 2014

O inesperado

é necessário nada esperar
cansam esses dias antigos
mas necessário é nada esperar
como uma página em branco
não espera o poema
como uma manhã sem nuvens
não supõe os raios de sol
como a brancura de um lençol limpo
não sabe da noite de amor.

a cidade está de pernas abertas
mas as portas ficaram fechadas
cansam as portas fechadas
cansam as catracas e as cancelas
a cidade está escancarada
cheia de brechas vazadas
ela não sabe do que a sangra
das vias nascidas e fenecidas
aberta a cidade nada espera.

desesperança na cidade
no meio da cidade há brechas
por onde vazam pedras e flechas
há fissuras na carne dos dias antigos
por onde suam as sedes e danças
há nomes que não são ouvidos
há rostos caídos no olvido
há uma fenda no meio da cidade

onde inesperado há esperança. 


Texto: Guilherme Preger
Arte: Rudy Trindade (inspirada no texto).

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