segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

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Como se não bastasse rezar, também me ajoelhei e chorei pedindo a chance de ter, enfim, paz. Uma paz que me permitisse não conviver com letras fora do lugar, que me desse a oportunidade de combinar palavras que nunca haviam se harmonizado, uma paz impossível de conseguir com apenas 26 letras numa folha formato A4. Estava mal, muito mal, minhas mãos se negavam a escrever por falta de palavras que traduzissem o que minha mente e meu coração gritavam dentro de mim. Eu pensava ?V3mhfoos mmf# p0-6, md;çdor , mas só conseguia escrever que o amor é belo, que a paz constrói, que as crianças são puras... e não é assim que o mundo funciona. O mundo é muito mais que uma imensidão azul intraduzível em sentimentos, quanto mais em símbolos e estruturas congeladas. Então, rezei. Só me restava isso, mas não devo ter sido compreendida, pois meus códigos profanos extrapolam o sentimento cartesiano dos manuais de redação.  

Imagem: Fernanda Franco
Texto: Maria Emilia Algebaile

Rodada 49

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