segunda-feira, 21 de julho de 2014

Mãe Gentil

mãe gentil

devolvesse à loucura um brilho eterno
de uma mente que pouco se ilumina
à luz dos olhos teus, nessa menina
dos teus olhos, é certo um brilho, é terno

lágrima triste de leite materno
confundindo os desmandos, nordestina,
é terno esse leite de amaralina,
que verte fosco e quente no inverno

mas se no lusco-fusco o frontispício
refulge eternamente tosco e nítido
os filhos do teu braço forte esplêndido

rejeita, mãe gentil, o brilho eterno,
refulge varonil os teus fantasmas

o leite zanhado que te habita
é terno de matéria e de miasma

a menina dos teus olhos confundidos
em terno vertedouro de ternura

acompanha a pingadura do teu peito
num dia esmaecido de equinócio
para que possa então, à luz, ser pura

casta
fértil

e louca

Arte de Marcelo Damm inspirada no texto de Igor Dias
Rodada 51, invertida

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