sábado, 5 de julho de 2014

NADA DURA PARA SEMPRE



Eu sabia que nada dura para sempre, mas não imaginava que seria tão rápido. No início, quando te vi, me veio uma vontade enorme de te morder, sentir teu gosto, teu cheiro. Minha boca, minha língua, meus sentidos te sentiam por completo. Mas, conforme o tempo passava, notei que o prazer ia diminuindo. Já não sentia gosto algum, era só o esforço monótono para manter a cadência, a continuidade. Não sei porque insistia, talvez por hábito, talvez por falta de algo melhor para fazer. Até que em dado momento me revoltei contra a rotina, a falta de finalidade. Cuspi você na calçada, já nem tinha mais aroma ou cor. Era apenas uma goma disforme, uma sombra do que foi minutos antes. E ainda fui multado em cento e cinquenta e sete reais por um fiscal da Prefeitura.

Texto: André Calazans
Imagem: Magali Rios
Post Extra

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