domingo, 3 de agosto de 2014

UMA LUZ



Uma luz tímida teima em chegar aos meus olhos bem devagar, bem devagar, contrariando as leis da física que, soberbamente, classificam sua velocidade em 299 792 458 metros por segundo. Aquela luz lá no fim do túnel, que eu tanto esperei para ver, chega se arrastando, com muito boa vontade de minha parte, diga-se de passagem. E agora vem o Google a me dizer que a luz possui uma velocidade, como diria Caetano Veloso, “uma velocidade estonteante”, simbolizada pela letra C, do latin “celeritas,” que significa velocidade ou rapidez! E o que é que eu faço com a minha percepção? E o que é que eu faço com meus olhos e minha cabeça, que teima em não funcionar no compasso do meu coração? Corto fora? Como uma descoberta puxa a outra, hoje sei, por exemplo, que esta tal velocidade pode ser modificada, dependendo do meio material por onde ela deverá passar. Não é o máximo? Isso talvez explicasse o arrastar-se de minha razão na busca por respostas tendo um fio tênue de lua minguante a clarear minhas idéias. Assim, a celeridade da luz será maior ou menor se ela atravessar um vidro, o ar, a água ou as minhas pobres retinas fatigadas. Mas se a luz sair do vácuo e percorrer um outro tipo de material, diminuindo sua velocidade, ao retornar ao vácuo, ela reassumirá sua velocidade C. Então, o que é que eu faço com esses pensamentos recorrentes que teimam em viajar por outras bandas mas que, invariavelmente, retornam ao vácuo que se tornou a vida? E tome de luz! É luz papo-reto! Em meios homogêneos e transparentes, a luz se propaga em linha reta. Por este princípio, estaria explicado, então, por que minha sombra, às vezes, me assombra e, outras, se adianta à minha passagem, como uma nuvem que, por fim, vai interferir na minha trajetória, como se o passado viesse adiante? Essa linha reta da luz entra numa montanha russa quando me encontra e sai quicando feito pedrinha na lagoa até afundar na água. Isso explicaria o motivo pelo qual vejo tudo embaçado, nebuloso? Qual será a verdade a que devo me apegar para admitir que vejo sim uma luz tímida que teima em chegar aos meus olhos bem devagar, bem devagar????

Texto: Maria Emilia Algebaile
Imagem: André Calazans
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