domingo, 28 de setembro de 2014

A CAMPANHA NAS RUAS




É preciso ler nas estrelinhas, porque nas entrelinhas já não faz muito sentido. A todo momento, trombamos com ilustres cabos eleitorais nas ruas da cidade distribuindo santinhos, folders e outros materiais de campanha. Por princípio, não recuso. Cada um faz o trabalho que pode.  Vou colocando tudo na bolsa e, geralmente, não leio. Mas minha amiga leu, leu e fotografou. Leu e veio conversar comigo que parece uma sopa de letrinha, as mensagens são todas parecidas. Fala sério, se a gente lê as mensagens e não consegue identificar o emissor, fica tudo muito embaralhado mesmo. Todo mundo fala a mesma coisa ou cada um fala uma língua diferente? Como escolher um dentre tantos iguais? Uma Babel brasileira pode ser apreciada, a cada eleição, com um grau maior de elaboração. Daqui a milênios, quando alguma civilização (mais?) avançada descobrir nossos vestígios, certamente vai endoidecer! Todos pela educação! Todos falam em mudança! Mas de que forma, camarada amigo meu? A gente educa para a vida sob determinada concepção de mundo. Não tem como ser diferente e, por conseguinte, as propostas não podem ser iguais. A gente pensa em mudança, mas qual a direção? Existe diferenciação entre os grupos e um grupo vai assumir a hegemonia. É assim, não vamos mudar por mudar, porque a mudança sem rumo pode ser para pior. A velha história de que, para quem não sabe aonde quer ir, qualquer caminho serve. Mas o discurso precisa ser pasteurizado para atingir a todos e, quem sabe, pegar um voto de um incauto aqui e outro acolá? Pois bem, nessa colcha de retalhos, deito meu corpo cansado e minha mente subversiva, não necessariamente nessa ordem nem mesmo com essas combinações, porque posso deitar, perfeitamente, meu corpo subversivo e minha mente cansada. O fato é que, se não leio essas propagandas eleitorais, muita gente lê. E muita gente lê apenas um e não todos os panfletos que lhe são entregues na rua. Minha amiga leu. Leu e me contou. E um alarme tocou dentro de mim.


Texto: Maria Emília Algebaile
Imagem: Magali Rios
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