segunda-feira, 6 de outubro de 2014

NÃO ME CHAME DE RIO





Não me chame de rio
Maria
Este pedaço de mim é de córrego,
Amansaria a pressa do mar? Entrar na Bahia,
Ao entrar na Bacia do sossego.

Aqui foi terra de índio, Maria,
Foi Itaquera de negro afro.
Foi para as serras de Minas
Uma estrada dos bandeirantes,
Uma foz de cachoeira na serra da Mantiqueira

E Maria não me leves na bandeja
Que o Rio é de Janeiro ao que me queira
É este Pão este Corcovado que eu já conferi,
Tenha você rompido com as carpideiras
O bordado cerzido do versado guri.

Eu passo em Mariana, em Macau
Eu vou em traje de banho
Eu vou com viola e banjo em Massau
Em Sergipe eu vou tocando o rebanho
Pelas trilhas do Pantanal vendo o gado
Bois Nelores em Campina grande, sois senhores
Desta fazenda, deste arraigado

Costume de ir ao Rio ver a baia da Guanabara. 


Texto: Fernando Souza Andrade
Imagem: Magda Rebello
Rodada 54

Nenhum comentário:

Postar um comentário