segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O passado bate a porta


O passado bate a porta

Pensei te contar meu segredo
aquele que guardo de mim mesmo
e só encaro de luzes apagadas
e olhos fechados.


Te encarei buscando uma abertura
que encorajasse tal loucura
um pensamento juvenil
protesto em marcha.


Sem resposta ou incentivo
notei entre as rugas
pequenas gotículas de água
suor lavado em lágrimas.


Aliviei-me no branco da mente
viajei com a postura ereta
e fui encontrada pelas lembranças
esquecida poeria embaixo do sofá.


Soprei-as fortemente e acabei inalando
causando espirros incontroláveis
alergia minha entre ácaros
tonteira de pressão baixa.


Zonza gritei quase inconsciente
frases feitas de poetas anônimos
e senti-me representada
confiei na bondade dos desconhecidos.


Quando a campainha tocou
devagar divaguei até a porta
e o olho mágico me revelou
o que não tem mistério.


Entendi que meu segredo escancarado
não precisa de definições e afins
esta claramente pintado
em cores que eu não sei o nome
e que dizem muito por mim.



Texto de Carolina de Araujo
Arte de Marcelo Damm inspirada no texto

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