segunda-feira, 11 de julho de 2016

O MONUMENTO E A INDIGÊNCIA




Na praça vazia, dois mundos se contrapõem.
Dois mundos se complementam.

Ela, conhecida andarilha, deixou filhos, um amor torto e lançou-se ao mundo. Abandonada ao álcool, pensa na vida que teve. Um monumento ao humano.
Do outro lado, alguém sem identidade, inerte na sua eternidade de pedra, celebra a vida desimportante sem significado para os que passam por ali. Um monumento à indigência.

Mas existe a praça, síntese da vida.
Na praça vazia , dois mundos se contrapõem.
Dois mundos se complementam.

Imagem: Magali Rios
Texto: Maria Emília Algebaile
Rodada 67

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