segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Além do horizonte




O tempo agora se fixa na existência dele, na labuta diária, ocasião em que seu olhar se perde à procura do próximo instante, como se pudesse prever aquele momento que está na iminência de acontecer. O tempo se fixa nesse ponto exato entre a memória e a expectativa, onde tudo ainda é perfeito, porque incompleto e inexistente. O olhar se perde em vazios preenchidos por mar e concreto, enquanto o tempo constrói seus instantes suspensos entre as saudades e os sonhos. Saudades de jogos nostálgicos de pião, da voz do filho que foi embora, dos tropeços do acaso. O olhar se perde e reconstrói o desconhecido a partir de uma ou mais expectativas frustradas. O olhar se perde e se fixa em sonhos, que esbarram exatamente na linha do horizonte. Logo ali, onde o construído afirma o tempo todo a existência do homem.


Imagem: Gloria Mota
Texto: Danielle Schlossarek

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