sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

cronotopos


não há o tempo que diga tudo
ou o espaço que abrace
com seus largos membros
qualquer agonia que doa muito.
há apenas pedaços desgarrados,
densidades distribuídas.
o acolhimento era,
ou nunca foi, possibilidade.
o desconforto dos corpos
é a realidade irremediável
e não serve de consolo,
pior: nem de esperança.
no entanto,
esses nacos de cronotopos,
que não envolvem, no entanto,
no instante, no instinto,
são ruminados,
sua devoração também
é devoção: nenhuma passagem
escarnece do que se tornou carne
e dobrou sua superfície
e fez da história o miolo,
novelo a memória. 


Imagem: Carlos Monteiro
Texto: Guilherme Preger


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